a um tempo uno longo corresponde a validade desta resposta uma mão que nos aperta num estado sôfrego de diz-me o que escondias por detrás do rosto naquele dia hoje houve uma tarde incerta entre os teus dedos um sol claro símbolo a benção de um beijo um sol a um grito uno longo corresponde amar-te à noite pela casa incerta nos seus gumes a cantar de nojo toda a noite fria húmida canta o quanto nos sobra o rito cego da cegueira as mão o corpo abraçam a fresta imanente do crepúsculo esperado a tarde é romãntica e digo resta esperar onde houver um recanto adormecido o corpo de lado deitado na relva dormente como um prelúdio nos dedos cansados na lama de fresco tudo intui o quanto nos gastámos e aqui páro para dizer dedo no ar ou o braço inteiro decantado deslocado oblíquo já levitante vai um voo inteiro nestas núpcias para dizer espera tenho-te por vezes o sabor de um qualquer vento suplício de cidade amarelecida nas tardes chuvosas cantamos tenho-te e...
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ou levarei coberto o rosto tisnado como sorrindo o crime da inutilidade foi preciso isto para chegar aqui ponto nenhum equidistante só de si algures no mar o meu braço dizendo foi dar a alma a um outro demo foi falar depressa descansar menos as dores rir só de si mesmo o mundo não adianta creio mesmo nunca e de que serve o que nem se diz perguntava como quem uma resposta já e de que serve coberto o rosto tisnado para isto para isto para levar dentro do rosto um lugar menos cheio algum furto alguma água algum espaço só um quanto baste para amarelecer a folha única que não escrevo
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viver costurando o serviço cúmplice dos rostos estender a mão à cidade roubar-lhe o olho perfurar as objectivas serenas a lenta decomposição dos membros agarrando o espírito de viés cismar a coisa ser o mundo o mundo a língua com que se olha e se mexe na coisa ter tempo para parar o tempo ser fútil nas reduções ao lume nas palavras dizer aquele lugar-comum ali acima não sofrer por isso nem sequer morrer um pouco apenas saber que um pedaço disto sou eu mas ficar na rua em que sempre se foi originar o plano engoli-lo pendurá-lo recortar sons e cheiros deixar queimar fixar nomes placas jardins e numa mesa assentar o chão premir a luz ____________________________________________ dizer-te a cor deixar-te o fruto sob a tarde amarelecida ____________________________________________ há-de se dizer disto tudo cumpriu-se mas não se há-de dizer venha o morto ler-se a cara nem se há-de dizer não seja parvo que isto não se acaba nem mesmo se há-de dizer faltam vinte para as três quer ir beber café ...
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isto de que quando crio exulto isto de que quando crio sou outro vejo tudo turvo as coisas em si e vejo tudo claro isto é ser de facto eu um merdas amigo um merdas _________ eu fui lavar assim o dia deixa que te cante estrofe a estrofe este estar sempre __________ fiz mais do que pude de gatas a ré e de bicicleta fiz-me à estrada e dei o corpo porque o mundo quis ___________ vejo negro tudo olhar é já mentir mãe corta-me o medo a voz desfaz-me o nó limpa-me os olhos acordar de novo é dor tamanha um grito sujo e não passa para quê este sopro antigo diz-me para quê o teu rosto __________ da capo anotação à guilhotina a última palavra diz que fende eu considero sim o teu corpo à luz para faltar só isso quando se escreve assim um mau poema
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e agora que temos o poço dos negros a casa avarandada um sorriso e as vizinhas são uma simpatia mas não nos deixam sequer largar-lhe o cão à porta e bem pensando agora que temos dias luminosos tabaco e jornal dois pedais e miúdos um sem cessar de amigos e a casa se paga aos poucos devagar mas alegremente há um escritório às tardes mansas o café o ouro das janelas a razão do nosso lado até a vista nos espreita e dormimos com ela de noite abraçados ao quente que é mais miúdos mais fins-de-semana mais andar a pé e às cavalitas mais ser senhor do destino e dono da cidade minto do país que é haver só isto igrejas velhinhas lixo e eléctricos ah agora a sinfonia de voltar atrás andando em frente quem me dera nunca mais um quem me dera vive-se vive-se e pronto há rio e carros e passeios e jardins pobres e pouco asseio também interessa não ser tudo bonito e rarefeito às vezes um cheiro e vem um sem-abrigo e passa num castigo olá amigo não há cá abraços esses são para os do vinho ah não peço mai...
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não há solução para isto é ficar o corpo tributável no chão daqui não nascerá nada nem o rigor do trabalho nem o burilar poético nem sangue sequer que preencha os olhos daqui de nós nem a erva mastigada não servirá isto para o eterno reavivar dos dentes este estrume estas maleitas este túmulo é ficar o corpo arável no chão não ter pressa dizer tudo calar sinceramente ainda mais tudo cumprir a pena sem ódio apenas um e puro vê-lo escorrer do céu correr fronteiro a nós da boca aberta nem a chuva nada disso valerá tão pouco aquilo de ser prece de ser um outro dia depois porque o dia é ser sempre isto talvez o pouco que nos resta nos engane é ser sempre e isso latejar-nos sem freio o pressentir que a letra se fecha que a mensagem dói mais irrevelada que o que fica é o espaço do que se perderá é sabermos que o que foi dito foi já demasiado isto não finda isto apenas parte isto não é mais que todas as mães abraçando todos os filhos mortos não é mais que chegarmos ao fim das estradas para rec...